Poluição Visual tem solução


Observando a poluição visual que se instalou na cidade de São Paulo, muitas vezes deixamos escapar os reais motivos que provocam tal fenômeno. Reclamar é fácil. Difícil é buscar soluções práticas, sem cometer exageros.


Os motivos que levam uma cidade à poluição visual podem ser classificados da seguinte forma: culturais, econômicos, ausência de fiscalização, além do caos administrativo da própria cidade que acaba ditando o padrão negativo. Portanto, corresponde a grave erro discutir o problema da poluição visual unicamente sob o ângulo do anúncio publicitário.


Dos seis milhões de anúncios localizados em São Paulo, apenas 5,7 mil correspondem às tabuletas de outdoor cadastradas legalmente na Prefeitura, segundo dados fornecidos pela Secretaria de Habitação do Município de São Paulo (SEHAB). O grande problema são os anúncios indicativos, como placas, plaquetas, faixas, promoções, na maior parte das vezes instalado por pequenos estabelecimentos comerciais. Formam uma multiplicidade e duplicidade de informações que somadas àquelas instaladas pelos estabelecimentos vizinhos em uma mesma rua acabam provocando um caos visual. Para piorar a situação, estas iniciativas não são coibidas e muito menos controladas pelo poder público.

Há ainda o problema das pichações que, apesar de tomarem conta dos muros, paredes e topos de prédios de São Paulo, não são devidamente combatidos pela administração pública. Basta olhar para o estado em que se encontra a Ladeira da Memória e para o Obelisco, quase bicentenário. A pichação é um verdadeiro crime contra a cidade. Além da depredação do patrimônio público e privado, pode ser caracterizada como invasão de domicílio, delito tipificado no Código Penal. Mesmo assim, nenhuma providência efetiva vem sendo tomada.

Os malfadados lambe-lambes também fazem parte do problema da poluição visual da cidade. Começaram timidamente em alguns locais e hoje ocupam quase todos os muros, paredes, monumentos, constituindo-se em novo veículo de divulgação, às vezes compostos por mensagens de três, quatro ou mais folhas. Por serem ilegais e não terem nenhum controle, os lambe-lambes permitem a exibição de material promocional de revistas destinadas a gays e lésbicas, muitas vezes com exposição de nús. Estas peças atingem a população que, impotente, não tem a quem reclamar.
É lastimável observar que rádios, editoras, casas e espetáculos de renome e shows de artistas famosos, que teriam condições de anunciar nos meios regulares, vêm preferindo utilizar os lambe-lambes, um meio marginal que só emporcalha a cidade. Quando não são tomados pelos lambe-lambes, os muros são apropriados sem autorização para inscrições pintadas, anunciando churrascarias, serviços e, agora, lamentavelmente, até políticos que descumprindo a Lei Eleitoral, ocupam até defensas da via pública e marginais.

Há também o grande volume de anúncios que se instalou de forma irregular até em áreas pertencentes à municipalidade. São placas que não tem qualquer tipo de identificação do responsável. Quem instala e não se identifica, está escondendo algo. As empresas constituídas e organizadas buscam se identificar. Mantém seus anúncios segurados e com manutenção periódica, o que não ocorre com o grande universo caótico que se instalou em São Paulo.

Em paralelo aos problemas já citados, existem vários outros: o crescimento desordenado da cidade impõe uma profusão de fios, transformadores e postes da rede de alta tensão, instalados de forma aleatória; as bancas de jornais que obstruem passeios impedindo o trânsito de deficientes; as lixeiras mal cuidadas, muitas vezes, com lixo transbordando; a própria sinalização instalada sem nenhum critério; as cores berrantes(amarela, vermelha, verde) utilizadas por inúmeras casas comerciais para chamar a atenção . Há, por exemplo, uma enorme mansão de uma imobiliária, localizada na avenida Brasil, uma das mais nobres de São Paulo, que foi pintada de amarelo grená e marrom.

Como são muitos os problemas que provocam a poluição visual, a solução exige trabalho em várias frentes. Em primeiro lugar é preciso tratar o assunto objetivamente e não subjetivamente como vem sendo tratado. Sem radicalismos, é necessário unir esforços das partes envolvidas, aí incluem-se poder público, empresas e suas entidades representativas como a Central de Outdoor, além da sociedade civil. É preciso entender que por sua complexidade o problema demandará tempo para ser resolvido e, por isso mesmo, devemos iniciar imediatamente os primeiros passos. Se a atual legislação de anúncios for aplicada, mesmo com as críticas que poderia sofrer, já seria possível melhorar substancialmente o visual da cidade. Também é preciso aplicar a lei para acabar ou coibir as pichações e lambe-lambes.

Ajudaria, também, se o assunto fosse tratado nas escolas, procurando despertar o espírito de cidadania e amor à cidade nos jovens. Não podemos esquecer que essa geração que aí está nasceu e cresceu nessa desorganização, jogando lixo na rua, pichando e depredando. Portanto, sem respeitar a cidadania e a ordem pública.

fonte:
OUTDOOR EXPRESS - Informativo da Central de Outdoor
São Paulo, maio/2001

 
 
 
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